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Breve histórico do Rio de Janeiro
| Fundado em 1º de março de 1565,
por Estácio de Sá, na pequena várzea que fica entre os morros Cara de Cão e Pão de
Açúcar, dois anos depois teve o seu núcleo colonial inicial transferido para o morro do Castelo, por determinação do então governador geral da
Colônia, Men de Sá. A cidade foi ocupada pelos emissários da coroa portuguesa e loteada entre jesuítas, beneditinos, carmelitas e franciscanos. Foram eles os responsáveis pela primeira feição urbana do Rio. No século XVII, com a descoberta do ouro nas Geraes, o Rio de Janeiro, cidade portuária que já então era a mais populosa do Brasil, passa a ser o eixo econômico mais importante do país, dada sua localização para o escoamento do metal. Do morro do Castelo a população deslocou-se para as áreas mais baixas, e a pequena burguesia formada por comerciantes portugueses buscou assentar-se no entorno da Praça XV, onde passou a funcionar o centro administrativo e político da cidade. É nesta época que o Rio ganha os Arcos da Lapa, aqueoduto construído para trazer a água do morro de Santa Teresa para o largo da Carioca, e o Passeio Público, jardim projetado sobre o aterro da lagoa do Boqueirão. A vinda da família real portuguesa para o Rio de Janeiro produziu forte impacto na cidade. O Rio saiu do anonimato, entrou no comércio internacional, com a abertura dos portos, e inaugurou longo período de forte opulência e intercâmbio cultural, artístico e científico. Para abrigar a família real e sua corte de 15 mil fidalgos, foram construídas e reformadas várias edificações, entre elas o Paço Imperial e a Academia Real Militar, e criadas novas instituições, como o Banco do Brasil, a Imprensa Régia, a Escola de Medicina e o Horto Real. Era a cidade europeizada! As marcas deixadas pelas missões artísticas e científicas ainda podem ser encontradas no centro do Rio. Aquelas elites culturais transformariam a paisagem colonial da cidade, com a suntuosidade e a imponência da arquitetura neoclássica, de fachadas decoradas e pé direito alto. Ainda existem muitos remanescentes desse período, como a Igreja de Nossa Senhora da Candelária. Durante o Primeiro e o Segundo Reinados, o Rio manteve sua opulência e ganhou traços modernizadores. Com a proclamação da república, a capital assume uma nova identidade nacional. Com a chegada do século XX, a guerra contra a peste bubônica e a febre amarela impuseram drástica reforma urbana e sanitária. No Centro, becos e ruas acanhadas, focos de propagação das epidemias, foram transfigurados, quando não eliminados, pela abertura de grandes avenidas. Cruzando a cidade de mar a mar, nascia a avenida Central (hoje avenida Rio Branco), principal eixo do Centro, que abriga o conjunto arquitetônico formado pelo Teatro Municipal, o Museu Nacional de Belas-Artes e a Biblioteca Nacional. A política do bota-abaixo do início do século XX, além de expulsar do centro da cidade as camadas populares, empurrando-as para a periferia, produziria outro efeito perverso anos mais tarde, em 1922. Para instalar os pavilhões da exposição comemorativa do centenário da independência do Brasil, o governo apagou da paisagem urbana o primeiro núcleo da cidade, o morro do Castelo. O que restou do "Desmonte do Castelo" foi a Esplanada do Castelo. |